Município de Paredes de Coura

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A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES
Ricardo Araújo Pereira abre as Conversas na Casa Grande A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES sáb_29 jul_16h00 | inauguração   A Quinta do Amparo em Paredes de Coura, eternizada por Aquilino Ribeiro na obra maior ‘A Casa Grande de Romarigães’, vai finalmente tornar-se num espaço de fruição, num centro de literatura e também de cultura. A […]
publicado a 26 de July de 2023

Ricardo Araújo Pereira abre as Conversas na Casa Grande

A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES

sáb_29 jul_16h00 | inauguração

 

A Quinta do Amparo em Paredes de Coura, eternizada por Aquilino Ribeiro na obra maior ‘A Casa Grande de Romarigães’, vai finalmente tornar-se num espaço de fruição, num centro de literatura e também de cultura. A inauguração da obra de reabilitação está agendada para este sábado, dia 29 de julho, pelas 16h00, numa iniciativa que também contempla o início das Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa do século XX, como a palavra, e cujo primeiro palestrante é Ricardo Araújo Pereira.

“Esta inauguração só é possível graças a uma estreita colaboração entre Município de Paredes de Coura e a família do escritor Aquilino Ribeiro”, reconhece o presidente da Câmara, Vitor Paulo Pereira, acrescentando que “a reabilitação física e funcional da Quinta de Nossa Senhora do Amparo proporcionará a todos os visitantes uma viagem pela história do romance e pela história do nosso lugar. Pela história daquilo que somos. Paredes de Coura tem muitas ligações à literatura e nós temos de ser capazes de trabalhar esse valioso património”.

Vitor Paulo Pereira vai mais longe e não esconde, como courense, o orgulho de tão notável autor estar intimamente ligado a este território: “a memória da obra literária de Aquilino e do lugar de Romarigães estará na futura Casa da Escrita que procurará ser um local de referência, onde a literatura se cruzará com arquitetura e o turismo cultural. Queremos que a Casa Grande de Romarigães seja agora um espaço de cultura aberto às escolas, aos amantes da literatura, aos turistas, a toda a gente”, sublinhou o presidente da Câmara, admitindo também que “o turismo literário possibilita uma aproximação direta do visitante ao texto literário, bem como aprofunda as relações entre a ficção e a memória do lugar. São estas relações que contribuem para a divulgação da literatura e para a promoção de um turismo cultural que, como sabemos, é também responsável por criação de riqueza”.

Coura território literário

É neste âmbito que o município também se propõe promover Paredes de Coura como território literário. Para além desta bela Casa Grande de Romarigães/Quinta do Amparo, o concelho também acolhe o Centro Mário Cláudio, em Venade, da mesma forma que ainda recentemente o escritor Valter Hugo Mãe também escolheu Paredes de Coura para passar um longo período e criar a sua mais recente obra, ‘As doenças do Brasil’.

A nova casa Grande de Romarigães está dividida em três espaços. O Piso 0 propõe-nos, seguindo uma linha de tempo, conhecer melhor a vida e obra de Aquilino Ribeiro, um dos mais relevantes romancistas do século XX em Portugal, sendo mesmo proposto para Prémio Nobel da Literatura. Neste espaço, entre outros elementos, poderá encontrar-se a sua máquina de escrever, a caneta e alguns dos manuscritos pertença do escritor. O Piso 1 leva-nos à Sala de Escrita -- com lousas, máquina de escrever e tablets --, desafiando-nos a explorar as diversas formas de a praticar, e contactar de modo inovador com o universo literário de Aquilino Ribeiro.

Já na capela contígua e dedicada a Nossa Senhora do Amparo, na qual sobressai a interessante fachada barroca, somos convidados a assistir a uma curta-metragem de animação, realizada para este espaço e cujo mote foi a relação de Aquilino Ribeiro com a natureza.

Conversas na Casa Grande

Evocando os 60 anos da morte de Aquilino Ribeiro, o Município de Paredes de Coura também promove as Conversas na Casa Grande, um ciclo que privilegia os grandes temas de A Casa Grande de Romarigães, como a palavra, a paisagem e a arquitetura, tendo para o efeito convidado os palestrantes Ricardo Araújo Pereira que conversará com Vitor Paulo Pereira (29 julho), Álvaro Domingues com Aquilino Machado (23 setembro) e Manuel Cordeiro/Nuno Figueiras tendo por interlocutor Ricardo Pedroso Lima (7 outubro), respetivamente.

Por sua vez, com a inauguração da obra de reabilitação, acontecerá também o lançamento de ‘A Casa Grande de Romarigães – Um contributo histórico e arquitetónico’, da autoria de Maria Ribeiro Machado Pedroso de Lima.

A reabilitação física e funcional da Quinta do Amparo, na sequência da Candidatura “Casa Grande de Romarigães” aprovada no âmbito do Aviso “Património Cultural” do Programa Operacional regional do Norte (NORTE2020), teve um Investimento total de 508.194,57€, financiado a 85%.

 

 

A Casa Grande de Romarigães

A narrativa da Casa Grande de Romarigães constrói-se a partir de manuscritos encontrados no restauro da casa que foi solar dos Meneses e Montenegros e conta-nos a história das sucessivas gerações que, para o bem e para o mal, a habitaram. Uma trama ficcional que começa no tempo dos Filipes, mas que se estende por inúmeros momentos marcantes da nossa História, nomeadamente a Guerra da Independência, as Invasões Francesas e a Guerra dos Dois Irmãos.

 

Aquilino Ribeiro

Aquilino Ribeiro nasceu na Beira Alta, concelho de Sernancelhe, no ano de 1885, e morreu em Lisboa em 1963.

Deixou uma vasta obra, na qual cultivou todos os géneros literários, partilhando com Fernando Pessoa, no dizer de Óscar Lopes, o primado das Letras portuguesas do século XX. Foi sócio de número da Academia das Ciências e, após o 25 de Abril, reintegrado, a título póstumo, na Biblioteca Nacional, condecorado com a Ordem da Liberdade e homenageado, aquando do seu centenário, pelo Ministério da Cultura.

Em setembro de 2007, por votação unânime da Assembleia da República, o seu corpo foi depositado no Panteão Nacional.

 

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